_Coxa Saltans_
Resumo
Uma estrutura tendínea que estala sobre uma proeminência óssea: externo (TIT/TFL sobre o trocânter maior), interno (iliopsoas sobre a eminência iliopectínea/cabeça do fêmur), ou intra-articular (labral). Classifique primeiro, depois trate.
Patologia. O quadril em estalido é um estalido mecânico de uma estrutura tendínea sobre uma proeminência óssea — externo (TIT/TFL sobre o trocânter maior) ou interno (iliopsoas sobre a eminência iliopectínea/cabeça do fêmur). Torna-se sintomático com encurtamento, uso excessivo e controle pélvico deficiente. O tratamento reduz a tensão na estrutura que estala e restaura a força equilibrada do quadril; causas intra-articulares requerem encaminhamento.
Apresentação clínica (sinais e sintomas)
Estalido/clique com o movimento do quadril; localização lateral (externo) ou profunda na virilha anterior (interno); comum em corredores/bailarinos; pode ser indolor, ou doloroso com atividade repetitiva.
Avaliação (Exame e Avaliação)
Subjetivo
Estalido ou clique audível/palpável com o movimento do quadril (levantar-se de uma cadeira, correr, rotacionar). Localize o tipo: externo (lateral — TIT sobre o trocânter maior), interno (virilha anterior — iliopsoas sobre a eminência iliopectínea/cabeça do fêmur), intra-articular (labral). Pode ser indolor ou doloroso. Escala de dor.
Objetivo
Reproduza o estalido: teste de Ober / flexão–abdução–rotação externa do quadril até a extensão para o tipo externo (TIT); flexão ativa até extensão do quadril para o tipo interno (iliopsoas); FADIR/FABER para triagem de causas intra-articulares. Avalie o comprimento do TIT e dos flexores do quadril, e a força glútea.
Diferenciar de
Patologia intra-articular / lesão labral (bloqueio mecânico, FADIR positivo) — encaminhe em caso de suspeita.
Principais testes especiais
| Teste | O que um resultado positivo indica | |---|---| | Ober / circundução do quadril (flexão-abdução-RE até extensão) | reproduz o estalido externo (TIT) | | Flexão ativa até extensão do quadril | reproduz o estalido interno (iliopsoas) | | FADIR | triagem para patologia intra-articular/labral | | FABER | provocação e diferenciação de quadril / ASI |
Sinais de alerta e quando encaminhar
- Patologia intra-articular/labral (bloqueio ou travamento mecânico, FADIR positivo) — encaminhar
- Instabilidade ou displasia do quadril
- Dor lombar referida
Contraindicações e precauções
- A agulhamento seco do iliopsoas é uma técnica avançada (profunda, próxima ao feixe neurovascular femoral) — trate superficialmente ou evite, a menos que tenha treinamento específico.
- Contraindicações gerais do agulhamento seco: infecção, anticoagulantes, fobia de agulhas; consentimento e higiene.
- Descarte patologia intra-articular/labral (bloqueio mecânico verdadeiro, FADIR positivo) — encaminhe em caso de suspeita.
Protocolo de tratamento
Estrutura da sessão e tempos
- Pré-avaliação + preparo (10 min): reproduzir e classificar o estalido; testes de comprimento/força.
- Tecidos moles — TFL/TIT e glúteos (externo) ou iliopsoas/quadríceps (interno) (12–15 min).
- Mobilizações do quadril (5 min).
- Agulhamento seco — TFL/glúteo ou (superficialmente) pontos-gatilho dos flexores do quadril (8 min).
- Demonstração de alongamento — TIT / flexores do quadril (5 min).
- Demonstração de carga para glúteos/core (5–8 min).
- Reavaliação + programa domiciliar (5 min).
Modalidades e justificativa
| Modalidade / técnica | Justificativa (por que é usada nesta patologia) | |---|---| | Tecidos moles (TFL/TIT/glúteos ou iliopsoas) | reduz a tensão na estrutura que estala, diminuindo o atrito sobre a proeminência óssea. | | Mobilizações do quadril | melhoram o deslizamento articular e reduzem o encurtamento compensatório (Banks, 2013). | | Agulhamento seco (TFL/glúteos; flexores do quadril superficial) | alivia pontos-gatilho contribuintes (Sharkey, 2017). | | Alongamento (TIT/flexores do quadril) | alonga a estrutura que estala para reduzir o bloqueio. | | Fortalecimento de glúteos/core | corrige o controle pélvico e a biomecânica — o fator determinante a longo prazo. |
Progressão de carga e exercícios
Fortalecimento do glúteo médio e do core para controle pélvico; trabalho progressivo de estabilidade do quadril; flexibilidade da estrutura que estala (TIT ou flexores do quadril).
Cuidados domiciliares / autogerenciamento
Alongamento do TIT/flexores do quadril, fortalecimento do glúteo médio e do core, orientações sobre corrida/técnica e gerenciamento de carga, evitar movimentos provocativos repetitivos inicialmente.
Medidas de desfecho e reavaliação
- Escala de dor (NPRS 0–10) antes/depois; frequência/intensidade do estalido.
- Repetir o teste de provocação do estalido.
- Reavaliar o comprimento do TIT/flexores do quadril (Ober).
- Função durante o movimento provocativo.
Referência anatômica
| Estrutura | Origem | Inserção | Ação | |---|---|---|---| | Tensor da fáscia lata (TFL) | EIAS e crista ilíaca anterior | TIT → tubérculo de Gerdy (tíbia lateral) | flexão, abdução e rotação interna do quadril | | Iliopsoas (psoas maior) | corpos vertebrais e processos transversos de T12–L5 | trocânter menor do fêmur | flexão do quadril (flexão do tronco) | | Ilíaco | fossa ilíaca | trocânter menor (junto com o psoas) | flexão do quadril | | Glúteo máximo | ílio posterior, sacro, cóccix | TIT e tuberosidade glútea | extensão e rotação externa do quadril |
Raciocínio clínico (Perguntas e respostas para o sistema)
_Estes pares de pergunta e resposta representam o raciocínio clínico esperado para esta condição. Use-os para justificar decisões e verificar os planos gerados._
P: Quais são os três tipos de quadril em estalido e como diferenciá-los? R: Externo (TIT/TFL sobre o trocânter maior — lateral), interno (iliopsoas sobre a eminência iliopectínea/cabeça do fêmur — virilha anterior) e intra-articular (labral). A localização e o teste de provocação os diferenciam.
P: Qual teste reproduz cada tipo? R: Externo: Ober / circundução do quadril de flexão-abdução-RE até a extensão. Interno: flexão ativa até extensão do quadril. Intra-articular: FADIR para triagem de patologia labral.
P: Por que o agulhamento seco do iliopsoas é considerado avançado/arriscado? R: É uma estrutura profunda e localizada próxima ao feixe neurovascular femoral — trate superficialmente ou evite, a menos que tenha treinamento específico.
P: Descreva a origem, inserção e ação do iliopsoas. R: Psoas maior O: corpos/processos transversos T12–L5; ilíaco O: fossa ilíaca; I comum: trocânter menor; A: flexão do quadril.
P: Qual é o manejo a longo prazo além do tratamento manual? R: Fortalecimento do glúteo médio e do core para controle pélvico, flexibilidade do TIT/flexores do quadril e modificação de carga/técnica; encaminhar se houver sinais intra-articulares/labrais.
Referências
- Banks, K. (2013) _Maitland's Peripheral Manipulation Management._ Elsevier.
- Banks, K. (2013) _Maitland's Vertebral Manipulation Management._ Elsevier.
- Sharkey, J. (2017) _The Concise Book of Dry Needling._ Lotus Publishing.
- Watson, T. (2008) _Electrotherapy: Evidence Based Practice._ Elsevier.
- Clarkson, H. M. (2013) _Musculoskeletal Assessment._ 3rd edn. Lippincott.
- PENDENTE: adicionar uma referência de protocolo de carga específico para a condição (das notas do módulo), em formato Harvard.

