Ombro Congelado

Ombro Congelado

Imagem meramente ilustrativa
Bruno Admin8 de agosto de 20265 min de leituraRead in English

Fibrose e contratura da cápsula glenoumeral (especialmente anterior/inferior) produzindo um padrão capsular de restrição. Autolimitante, porém lento; o tratamento depende do estágio.

_Capsulite Adesiva_

Resumo

Fibrose e contratura da cápsula da articulação glenoumeral (especialmente anterior/inferior), produzindo um padrão capsular de restrição. É autolimitante, porém lento. O tratamento depende do estágio: na fase dolorosa de congelamento, priorize o alívio da dor e a movimentação suave; nas fases de ombro congelado/descongelamento, priorize a mobilização progressiva e o alongamento para restaurar a amplitude de movimento.

Patologia. A capsulite adesiva é uma fibrose e contratura da cápsula da articulação glenoumeral (principalmente anterior/inferior), que produz um padrão capsular de restrição. É autolimitante, mas de evolução lenta. O tratamento depende do estágio: na fase dolorosa de congelamento (freezing), priorize o alívio da dor e a movimentação suave; nas fases de ombro congelado (frozen) e descongelamento (thawing), priorize a mobilização progressiva e o alongamento para restaurar a amplitude de movimento.

Apresentação clínica (sinais e sintomas)

Dor profunda e latejante no ombro, rigidez progressiva e global, perda acentuada da rotação externa, dor noturna, limitação funcional. Amplitude de movimento passiva e ativa igualmente restritas, em um padrão capsular.

Avaliação (Exame e Avaliação)

Subjetivo

Início gradual de dor no ombro + rigidez progressiva; dor noturna; dificuldade para alcançar acima da cabeça/atrás das costas (pentear o cabelo, bolso de trás, fecho do sutiã). Identifique o estágio: congelamento (doloroso) → congelado (rígido) → descongelamento. Escala de dor.

Objetivo

Padrão capsular — maior perda passiva de rotação externa, seguida de abdução, depois rotação interna. ADM ativa = ADM passiva (diferencial importante em relação à ruptura do manguito rotador). Observe postura/atrofia; palpe. Faça a triagem da coluna cervical.

Diferenciar de

Ruptura do manguito rotador (ativa < passiva), osteoartrose glenoumeral, síndrome da dor subacromial.

Principais testes especiais

| Teste | O que um resultado positivo indica | |---|---| | ADM passiva — padrão capsular | rotação externa mais limitada > abdução > rotação interna | | Comparação ADM ativa vs. passiva | ativa = passiva (diferencial importante em relação à ruptura do manguito) | | Avaliação do end-feel | end-feel capsular firme |

Sinais de alerta e quando referenciar

  • Fratura ou luxação
  • Malignidade (dor noturna persistente, sinais sistêmicos)
  • Ruptura completa do manguito rotador (ADM ativa muito piorada em relação à passiva)
  • Causa neurológica (ex.: síndrome de Parsonage–Turner)

Contraindicações e precauções

  • Mobilização/alongamento agressivo na fase irritável de congelamento piora a dor — ajuste o grau à irritabilidade.
  • Agulhamento seco em torno da cintura escapular: atenção à profundidade sobre o tórax (risco de pneumotórax); evite estruturas neurovasculares; consentimento e higiene.
  • Geral: descarte fratura, luxação, malignidade e ruptura completa do manguito antes de mobilizar.

Protocolo de tratamento

Estrutura da sessão e tempos

  • Pré-avaliação + preparação (10 min): ADM (ativa = passiva), padrão capsular, estágio.
  • Tecido mole — periescapular, manguito, trapézio superior, peitoral (12–15 min).
  • Mobilizações glenoumerais graduadas (respeitando o estágio) (8 min).
  • Agulhamento seco — pontos-gatilho periescapulares (8 min).
  • Eletroterapia — US / termoterapia (8 min).
  • ADM suave + demonstração de exercícios pendulares (5 min).
  • Reavaliação + programa domiciliar (5 min).

Modalidades e justificativa

| Modalidade / técnica | Justificativa (por que é usada para esta patologia) | |---|---| | Tecido mole (periescapular/manguito/peitoral) | reduz a proteção muscular defensiva e a tensão secundária. | | Mobilizações glenoumerais graduadas (Maitland) | suaves (grau I–II) na fase irritável de congelamento para alívio da dor; progredir para grau III–IV nas fases de ombro congelado/descongelamento para restaurar o deslizamento articular (Banks, 2013). | | Agulhamento seco | alivia os pontos-gatilho periescapulares que contribuem para a dor (Sharkey, 2017). Atenção à profundidade. | | Eletroterapia / termoterapia | US e calor para alívio da dor e para preceder o alongamento (Watson, 2008). | | ADM pendular e graduada | mantém a mobilidade dentro da tolerância ao longo dos estágios. |

Progressão de carga e exercícios

Adaptada ao estágio. Congelamento (irritável): mobilizações suaves de grau I–II, exercícios pendulares, alívio da dor. Congelado/descongelamento: mobilizações de grau III–IV, alongamento progressivo e ADM ativa para restaurar a amplitude.

Cuidados domiciliares / autogerenciamento

Exercícios pendulares, ADM ativo-assistida (polia, deslizamentos na mesa/parede) dentro do limite de dor, calor antes do exercício, tranquilização quanto à evolução natural da condição, evitar forçar o final de amplitude com dor na fase de congelamento.

Medidas de resultado e reavaliação

  • Escala de dor (NPRS 0–10) antes/depois; tendência da dor noturna.
  • Remedir a ADM de rotação externa e abdução.
  • Comparar a mudança entre ativa e passiva.
  • Função: mão nas costas / alcance acima da cabeça.

Referência anatômica

| Estrutura | Origem | Inserção | Ação | |---|---|---|---| | Cápsula da articulação GU | — (contratura/espessamento, especialmente anterior/inferior) | — | a principal estrutura restringida | | Supraespinal | fossa supraespinal | tubérculo maior (faceta superior) | inicia/auxilia a abdução | | Infraespinal | fossa infraespinal | tubérculo maior (faceta média) | rotação externa | | Redondo menor | borda lateral da escápula | tubérculo maior (faceta inferior) | rotação externa | | Subescapular | fossa subescapular | tubérculo menor | rotação interna | | Deltoide | clavícula, acrômio, espinha da escápula | tuberosidade deltoide | abdução (flexão/extensão) |

Raciocínio clínico (Perguntas e respostas para o sistema)

_Estes pares de pergunta e resposta codificam o raciocínio clínico esperado para esta condição. Use-os para justificar decisões e verificar planos gerados._

P: Como você diferencia o ombro congelado de uma ruptura do manguito rotador? R: Na capsulite adesiva, a ADM ativa é igual à ADM passiva (ambas restritas em um padrão capsular). Em uma ruptura do manguito, a ativa é piorada em relação à passiva.

P: Descreva o padrão capsular do ombro. R: A rotação externa é a mais limitada, seguida pela abdução e depois pela rotação interna.

P: Como seu tratamento muda ao longo dos estágios? R: Congelamento (doloroso/irritável): mobilizações suaves de grau I–II e alívio da dor. Congelado/descongelamento (rígido): progredir para mobilizações de grau III–IV e alongamento para restaurar a amplitude.

P: Cite os músculos do manguito rotador e suas principais ações. R: Supraespinal — abdução/iniciação; infraespinal e redondo menor — rotação externa; subescapular — rotação interna.

P: Quais são suas principais contraindicações aqui? R: Não force o final de amplitude na fase irritável de congelamento; controle a profundidade do agulhamento em torno da cintura escapular (risco de pneumotórax); descarte primeiro fratura, luxação e ruptura completa do manguito.

Referências

  • Banks, K. (2013) _Maitland's Peripheral Manipulation Management._ Elsevier.
  • Banks, K. (2013) _Maitland's Vertebral Manipulation Management._ Elsevier.
  • Sharkey, J. (2017) _The Concise Book of Dry Needling._ Lotus Publishing.
  • Watson, T. (2008) _Electrotherapy: Evidence Based Practice._ Elsevier.
  • Clarkson, H. M. (2013) _Musculoskeletal Assessment._ 3rd edn. Lippincott.
  • TODO: add a condition-specific loading-protocol reference (from module notes), Harvard format.

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This article is for general information and education only and is not a substitute for individual assessment, diagnosis or treatment by a qualified healthcare professional. If you have significant, worsening or concerning symptoms, please seek advice from a suitably qualified clinician.