Escrito e revisado pela equipe clínica da BPR. Última revisão: 30 de julho de 2026. Este artigo tem caráter educativo e não substitui a avaliação, diagnóstico e tratamento individualizados por um profissional de saúde qualificado.
Se você sente dor na parte externa do quadril que piora quando você deita sobre esse lado à noite, sobe escadas ou fica em pé por um tempo, você está descrevendo uma das queixas de quadril mais comuns que vemos. Antigamente isso era chamado simplesmente de “bursite,” mas nosso entendimento evoluiu — e essa mudança torna o tratamento melhor.
O que é?
A síndrome da dor trocantérica maior (SDTM) é dor sobre o ponto ósseo na parte externa do quadril — o trocanter maior. Por muito tempo, acreditava-se que era uma inflamação da bursa (uma pequena bolsa cheia de líquido que funciona como amortecedor). Hoje sabemos que geralmente é um problema de tendão: uma sobrecarga dos tendões glúteos (glúteo médio e mínimo) no ponto em que se inserem nesse osso, às vezes com envolvimento também da bursa (Grimaldi and Fearon, 2015). Essa reformulação é importante, porque uma sobrecarga tendínea é tratada de forma bem diferente de uma simples inflamação.
Por que acontece?
Os tendões glúteos não gostam de ser comprimidos contra o ponto ósseo, e certas posições fazem exatamente isso — sentar com as pernas cruzadas, ficar em pé apoiando todo o peso em um dos quadris, ou deitar sobre o lado dolorido. Some a isso uma fraqueza dos músculos do quadril e uma mudança no nível de atividade, e o tendão fica sobrecarregado e dolorido. É mais comum em mulheres e na meia-idade, embora possa afetar qualquer pessoa.
Qual é a sensação?
A característica principal é dor na parte externa do quadril que piora ao deitar sobre esse lado — por isso costuma perturbar o sono — e também com escadas, subidas e ao ficar em pé ou caminhar por muito tempo. A dor pode se espalhar pela lateral da coxa, e pressionar o ponto ósseo geralmente reproduz a sensibilidade dolorosa.
Como é avaliado
Vamos pressionar sobre o trocanter maior para encontrar o ponto sensível e usar testes que sobrecarregam os tendões glúteos — como ficar em pé sobre uma perna por meio minuto ou resistir a movimentos do quadril — para reproduzir sua dor. Também avaliaremos a força do seu quadril e verificaremos se a dor não está vindo da própria articulação do quadril ou sendo referida da coluna, já que ambas podem apresentar sintomas parecidos.
O que dizem as evidências
- Educação mais exercício supera a injeção. Em um estudo randomizado de referência, um programa de educação e exercício apresentou melhores resultados em 8 semanas do que uma injeção de corticoide ou uma conduta expectante, e o benefício se manteve em 52 semanas (Mellor et al., 2018).
- É um problema de carga, então a carga é a solução. Redefinida como uma tendinopatia glútea, o tratamento se concentra em reduzir a compressão e aplicar carga progressiva nos abdutores do quadril (Grimaldi and Fearon, 2015).
- Injeções não são a resposta para a maioria. Podem trazer alívio a curto prazo, mas não superam um programa de exercícios bem conduzido a longo prazo (Mellor et al., 2018).
Como é tratado
O núcleo do tratamento tem duas frentes: aplicar carga progressiva no tendão para reconstruir sua capacidade, e reduzir a compressão que está agravando o problema. A parte educativa é surpreendentemente poderosa — simplesmente aprender a evitar as posições que comprimem o tendão costuma reduzir bastante a intensidade do problema. O tratamento manual pode ajudar você a se sentir mais confortável, mas é a carga progressiva e as orientações sobre como controlar a compressão que sustentam a recuperação duradoura.
Espere uma melhora gradual ao longo de alguns meses, com o sono costumando ser uma das primeiras coisas a melhorar assim que você passa a proteger o tendão durante a noite.
O que você pode fazer
Comece pelas posições: evite cruzar as pernas, tente não ficar em pé com todo o peso em um dos quadris, e coloque um travesseiro entre os joelhos à noite (ou durma do lado sem dor) para aliviar a pressão. Depois, comprometa-se com um programa progressivo de fortalecimento do quadril. Evite alongamentos agressivos da parte externa do quadril, que tendem a comprimir o tendão e piorar o quadro.
Quando buscar ajuda
Quando buscar ajuda. Procure atendimento se a dor estiver perturbando seu sono, limitando escadas e caminhadas, ou não melhorando com essas medidas de autocuidado. Também vale fazer uma avaliação para garantir que a dor não esteja vindo da articulação do quadril (dor na virilha, rotação restrita) ou da coluna.
Perguntas frequentes
É bursite?
Geralmente não, no sentido que o nome sugere. A SDTM é principalmente uma sobrecarga do tendão glúteo, às vezes com algum envolvimento da bursa — por isso a carga progressiva, e não repouso e injeções repetidas, é a principal forma de tratamento.
Por que dói tanto à noite?
Deitar sobre o lado afetado comprime os tendões glúteos contra o ponto ósseo do quadril. Um travesseiro entre os joelhos ou dormir do lado sem dor costuma ajudar.
Devo tomar uma injeção de corticoide?
Para a maioria das pessoas, educação e exercício funcionam melhor a longo prazo do que a injeção (Mellor et al., 2018). Uma injeção pode, ocasionalmente, ajudar a curto prazo, mas não é a solução definitiva.
Quais exercícios ajudam?
Fortalecimento progressivo dos abdutores do quadril, introduzido com cuidado e aumentado gradualmente ao longo do tempo. Um profissional pode adaptar esse trabalho e garantir que você não esteja comprimindo o tendão.
Quanto tempo leva?
Geralmente alguns meses de carga consistente e ajustes de posição, com a dor noturna costumando melhorar primeiro.
Como a BPR pode ajudar
Na BPR, vamos confirmar se o problema está nos tendões glúteos, ensinar as mudanças de posição que fazem diferença imediata, e montar um programa de fortalecimento progressivo que vai te ajudar a dormir e se mover com conforto novamente. Você pode agendar uma avaliação em bpr.rehab.
Referências
- Mellor, R., Bennell, K., Grimaldi, A. et al. (2018) 'Education plus exercise versus corticosteroid injection use versus a wait and see approach on global outcome and pain from gluteal tendinopathy: prospective, single blinded, randomised clinical trial', BMJ, 361, k1662. doi:10.1136/bmj.k1662.
- Grimaldi, A. and Fearon, A. (2015) 'Gluteal tendinopathy: integrating pathomechanics and clinical features in its management', Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, 45(11), pp. 910–922. doi:10.2519/jospt.2015.5829.

