_Tendinopatia Patelar / "Joelho do Saltador"_
Resumo
Tendinopatia por sobrecarga do tendão patelar (tipicamente no polo inferior). Reativa/degenerativa, majoritariamente não inflamatória. Tratada com modulação dos sintomas associada a carga progressiva do tendão.
Fisiopatologia. A tendinopatia patelar é uma condição de sobrecarga do tendão patelar, tipicamente no polo inferior, comum em atletas de salto e de mudança de direção. O tendão apresenta alteração reativa/degenerativa da matriz (não uma inflamação clássica — por isso o termo "tendinopatia"). O princípio central é o manejo progressivo da carga: as modalidades passivas modulam os sintomas e preparam o tecido, enquanto o carregamento (isométrico → excêntrico → resistência lenta e pesada) é o que impulsiona a recuperação.
Apresentação clínica (sinais e sintomas)
Dor anterior no joelho localizada no polo inferior da patela, dependente da carga com a atividade; rigidez após repouso; dor ao saltar/aterrissar e ao descer; pode "esquentar" durante a atividade e piorar depois; geralmente sem edema, sem instabilidade.
Avaliação (Exame e Avaliação)
Subjetivo
Dor anterior no joelho relacionada à carga, localizada no polo inferior da patela; piora ao saltar/aterrissar, descer escadas, agachamento em declive e após período prolongado sentado ("sinal do cinema"). Histórico de esporte com salto/mudança de direção. Escala de dor.
Objetivo
Observação (volume do quadríceps, VMO, alinhamento); palpação do polo inferior da patela e do tendão proximal (dor localizada à palpação); agachamento unipodal em declive de 25° (teste-chave — reproduz a dor); extensão de joelho resistida; ADM de joelho; avaliar força de glúteos e dorsiflexão de tornozelo; VISA-P como referência basal.
Diagnóstico diferencial
Dor femoropatelar, tendinopatia do quadríceps, síndrome do coxim adiposo (Hoffa).
Principais testes especiais
| Teste | O que um resultado positivo indica | |---|---| | Agachamento unipodal em declive a 25° | carrega o tendão patelar e reproduz a dor no polo inferior (teste principal) | | Palpação do polo inferior da patela | dor tendínea localizada | | Extensão de joelho resistida | dor à carga do quadríceps/tendão | | Questionário VISA-P | gravidade basal e monitoramento entre sessões |
Sinais de alerta e quando referenciar
- Ruptura aguda do tendão patelar ou do quadríceps (estalo súbito, atraso extensor, gap palpável)
- Suspeita de fratura
- Bloqueio verdadeiro ou falseio sugerindo patologia intra-articular
Contraindicações e precauções
- Agulhamento a seco: consentimento e higiene; evitar sobre infecção, sobre estruturas neurovasculares, fobia de agulhas; cautela com anticoagulantes; evitar em inflamação articular/aguda.
- Ultrassom: evitar sobre placas de crescimento (crianças), malignidade, área de implantes/marcapasso, TVP, sensibilidade alterada; ajustar parâmetros na fase aguda.
- Geral: descartar ruptura aguda do tendão e sinais de alerta antes de tratar.
Protocolo de tratamento
Estrutura da sessão e tempos
- Pré-avaliação + preparação (10 min): anamnese, testes-chave, VISA-P.
- Tecido mole — quadríceps/TFL-ITB/gastrocnêmio (10–15 min).
- Mobilizações patelares (5 min).
- Agulhamento a seco — pontos-gatilho do quadríceps (8–10 min).
- Eletroterapia — US e/ou NMES para quadríceps (8–10 min).
- Carga isométrica em consultório + bandagem (5–8 min).
- Reavaliação + programa domiciliar (5 min).
Modalidades e justificativa
| Modalidade/técnica | Justificativa (por que é usada nessa patologia) | |---|---| | Massagem avançada (quadríceps, TFL-ITB, gastrocnêmio) | reduz o tônus e aborda contribuintes da cadeia cinética → diminui a carga sobre o tendão. | | Mobilizações patelares (Maitland) | deslizamentos acessórios para modulação da dor e mobilidade (Banks, 2013). | | Agulhamento a seco (VL, reto femoral) | reduz a dor miofascial (Sharkey, 2017). Verificar contraindicações. | | Eletroterapia | o US pode influenciar o reparo (evidência ainda debatida; Watson, 2008); o NMES auxilia na ativação do quadríceps para dar suporte ao carregamento. | | Carga isométrica (agachamento espanhol/hold em extensão de joelho) | analgesia aguda + introdução de carga — o componente ativo central. | | Bandagem esportiva (faixa infrapatelar) | alívio sintomático por meio de descarga. |
Progressão de carga e exercícios
Isométrico (analgesia) → isotônico com resistência lenta e pesada → armazenamento de energia/pliométrico → retorno ao esporte. Monitorar: dor ≤ nível aceitável e que se resolva em até 24 h; acompanhar com VISA-P.
Cuidados domiciliares / autogerenciamento
Carga domiciliar progressiva (isométrica para dor → excêntrica/RLP conforme tolerância), manejo da carga esportiva (redução temporária de saltos/impacto), educação sobre dor dependente da carga, escala de dor como guia.
Desfechos e reavaliação
- Escala de dor (NPRS 0–10) antes e depois.
- Repetir o agachamento unipodal em declive; comparar dor/qualidade do movimento.
- Repetir palpação do polo inferior e ADM do joelho.
- VISA-P como medida de progresso entre sessões.
Referência anatômica
| Estrutura | Origem | Inserção | Ação | |---|---|---|---| | Reto femoral | EIAI | patela → tuberosidade da tíbia (via quadríceps e tendão patelar) | extensão de joelho + flexão de quadril | | Vasto lateral | trocânter maior e lábio lateral da linha áspera | patela → tuberosidade da tíbia | extensão de joelho | | Vasto medial (VMO) | linha intertrocantérica e lábio medial da linha áspera | patela | extensão de joelho + rastreamento patelar | | Vasto intermédio | face anterolateral da diáfise femoral | patela → tuberosidade da tíbia | extensão de joelho | | Tendão patelar | ápice da patela | tuberosidade da tíbia | — |
Raciocínio clínico (Perguntas e respostas para o sistema)
_Estes pares de pergunta e resposta codificam o raciocínio clínico esperado para essa condição. Use-os para justificar decisões e verificar planos gerados._
P: Quais sinais e sintomas fariam você suspeitar de tendinopatia patelar? R: Dor anterior no joelho relacionada à carga, localizada no polo inferior da patela, que piora ao saltar/aterrissar, no declive e após período prolongado sentado; dependente da dose de atividade; geralmente sem edema.
P: Qual teste isola o tendão patelar e o que um resultado positivo demonstra? R: O agachamento unipodal em declive a 25° — ele carrega o tendão patelar e reproduz a dor no polo inferior; combinado com palpação localizada do polo inferior.
P: Justifique sua escolha de carga isométrica e agulhamento a seco para essa lesão. R: Os isométricos proporcionam analgesia aguda e permitem introduzir a carga de forma segura — o carregamento é o fator determinante, pois o tendão precisa de um estímulo mecânico graduado para se remodelar. O agulhamento a seco alivia pontos-gatilho do quadríceps e a inibição relacionada à dor, dando suporte a esse carregamento.
P: Dê a origem, a inserção e a ação do reto femoral e explique por que isso é relevante aqui. R: O: EIAI; I: patela → tuberosidade da tíbia via quadríceps e tendão patelar; A: extensão de joelho e flexão de quadril. Ele cruza as duas articulações, então a posição do quadril influencia a carga sobre o tendão patelar.
P: Para o que você progrediria após as quatro/sete sessões de tratamento? R: Progredir de isométrico → resistência lenta e pesada → carregamento pliométrico/de armazenamento de energia, monitorar com VISA-P, gerenciar a carga esportiva e escalonar o retorno aos saltos.
Referências
- Banks, K. (2013) _Maitland's Peripheral Manipulation Management._ Elsevier.
- Banks, K. (2013) _Maitland's Vertebral Manipulation Management._ Elsevier.
- Sharkey, J. (2017) _The Concise Book of Dry Needling._ Lotus Publishing.
- Watson, T. (2008) _Electrotherapy: Evidence Based Practice._ Elsevier.
- Clarkson, H. M. (2013) _Musculoskeletal Assessment._ 3rd edn. Lippincott.
- TODO: add a condition-specific loading-protocol reference (from module notes), Harvard format.

