A ferritina é daqueles resultados que as pessoas guardam na memória. "A minha ferritina estava baixa" é uma frase comum entre pessoas com menstruação intensa, quem se exercita muito e qualquer um que tenha passado por uma fase de cansaço. O que se sabe menos é que a ferritina também pode estar alta, e que um resultado alto nem sempre quer dizer ferro demais. O exame de ferritina é simples, mas lê-lo bem pede um pouco de contexto.
O que é a ferritina
A LML descreve a ferritina como uma proteína que armazena ferro no corpo. Como a quantidade no sangue acompanha, de forma geral, o tamanho das reservas de ferro, ela é o marcador isolado mais usado do estoque de ferro. A orientação britânica sobre anemia ferropriva em adultos trata a ferritina baixa como um forte sinal de estoque de ferro baixo (Snook et al., 2021).
Há um detalhe importante. A ferritina também é uma proteína de fase aguda: ela sobe quando há inflamação no corpo. A LML observa que inflamação por qualquer motivo, como condições autoimunes, infecções ou consumo excessivo de álcool, pode elevar a ferritina, às vezes muito. Isso quer dizer que uma ferritina normal ou até alta nem sempre descarta ferro baixo quando há inflamação (Namaste et al., 2017).
Quando a ferritina está baixa
A ferritina baixa costuma indicar estoque de ferro baixo. A deficiência de ferro é um dos problemas nutricionais mais comuns do mundo e pode existir antes de a anemia aparecer (Pasricha et al., 2021). Motivos comuns incluem:
- perda de sangue, inclusive menstruação intensa;
- gravidez, quando a necessidade de ferro aumenta;
- alimentação pobre em ferro;
- condições que afetam a absorção pelo intestino.
A LML observa que, nas mulheres, a ferritina baixa costuma estar ligada à menstruação ou à gravidez. Em adultos, a orientação britânica recomenda que a causa da falta de ferro seja investigada por um médico, e não apenas tratada (Snook et al., 2021).
Quando a ferritina está alta
A ferritina alta é comum e, na maioria das vezes, não é causada por excesso de ferro. Uma diretriz britânica sobre a investigação da ferritina elevada lista causas frequentes como inflamação, doença do fígado, consumo regular de álcool e características da síndrome metabólica, e explica que a saturação da transferrina ajuda a separar esses casos do excesso real de ferro (Cullis et al., 2018).
Quando a ferritina e a saturação da transferrina estão as duas elevadas, o médico pode considerar a hemocromatose, uma condição hereditária em que o corpo absorve ferro demais. A LML observa que, nos homens, a ferritina alta pode estar associada à hemocromatose ou a doença do fígado. Falamos do excesso de ferro e do exame do gene HFE num guia à parte.
Por que a ferritina é melhor lida com o resto do perfil de ferro
Sozinha, a ferritina pode enganar nas duas direções. O Iron Status Profile do catálogo da BPR acrescenta as outras medidas que deixam o quadro mais claro. A LML as descreve assim:
- Ferro sérico: quanto ferro há no sangue agora. Como reflete o momento da coleta, raramente é lido sozinho.
- Capacidade total de ligação do ferro (TIBC) e capacidade latente de ligação do ferro: quanto ferro a proteína de transporte do sangue conseguiria carregar.
- Saturação da transferrina: quanto dessa capacidade está de fato em uso, outra forma de ver como o corpo está usando o seu ferro.
- Ferritina: o estoque.
Se a inflamação puder estar afetando o resultado, um profissional pode olhar também um marcador de inflamação como a C-Reactive Protein (High Sensitivity), que também está no catálogo. A pesquisa sobre o ajuste da ferritina pela inflamação mostra o quanto isso pode mudar a interpretação (Namaste et al., 2017).
Só a ferritina ou o perfil completo?
- A ferritina sozinha pode bastar para um acompanhamento simples, por exemplo depois de um tratamento com ferro receitado por um médico.
- O Iron Status Profile é mais útil num primeiro olhar, ou quando a ferritina vem no limite ou alta.
- Se você também quer a hemoglobina e as contagens de células, o Anaemia Profile, tratado em outro guia, reúne as duas coisas.

