Exames de sangue para atletas: ferro, vitamina D, recuperação e energia

Exames de sangue para atletas: ferro, vitamina D, recuperação e energia

Imagem meramente ilustrativa
BPR Clinic29 de outubro de 20269 min de leituraRead in English
WhatsApp

Quais marcadores de sangue as equipes de medicina do esporte olham, o que cada um quer dizer e como escolher o momento dos exames ao longo da temporada.

Exames deste artigo:Sports Fitness Profile,Sports Hormone Profile,Iron Status Profile,Ferritin,Full Blood Count (with 5 part White Cell Differential),Vitamin D,Vitamin B12,Folate (Vitamin B9),Creatine Kinase,Thyroid Monitoring

Assista ao vídeo curto · 47 segundos · Voz gerada por IA

Os seus tempos estão mais lentos do que no mês passado, as pernas pesam em todo aquecimento e você dorme mais, mas acorda sem energia. É o bloco de treino, as manhãs escuras, ou alguma coisa no sangue? Os exames de sangue para atletas não respondem isso sozinhos, mas bem usados tiram parte do chute. Este guia explica quais marcadores as equipes de medicina do esporte costumam olhar, o que cada um quer dizer e como escolher o momento dos exames para que os resultados possam ser comparados.

Por que os exames de sangue do atleta são lidos de outro jeito

O treino muda o sangue. O treino de endurance aumenta o volume de plasma, e por isso a hemoglobina pode vir um pouco baixa num atleta bem treinado sem que haja anemia de verdade. Um treino forte ou uma prova sobem os marcadores de músculo e de inflamação por alguns dias. E as pessoas são diferentes: um valor normal para um atleta pode ser incomum para outro.

Uma revisão sobre os marcadores de sangue usados para controlar a carga de treino concluiu que as condições da coleta, as diferenças entre as pessoas e a carga habitual de cada atleta mexem nos valores de repouso, e que as faixas de referência da população ajudam pouco sozinhas. O conselho é comparar cada resultado com o seu próprio ponto de partida, colhido nas mesmas condições (Haller et al., 2023). Esse é o fio deste artigo: um resultado é uma foto, uma série conta a história.

Ferro e ferritina: a falta mais comum

O ferro leva o oxigênio no sangue e faz parte das enzimas que os músculos usam para produzir energia. Ferro baixo é comum em atletas, principalmente mulheres, atletas de endurance, vegetarianos e quem treina em altitude, e pode aparecer antes de a hemoglobina cair (Sim et al., 2019). A ferritina, o estoque de ferro do corpo, é o número que a maioria das equipes acompanha. Como a inflamação e um treino forte podem subir a ferritina, ela costuma ser lida junto com a proteína C reativa (PCR) e o hemograma.

Remadores na água no porto de Bristol

Para mulheres que treinam, a menstruação também conta. Uma revisão prática para atletas mulheres recomenda olhar o ferro junto com o padrão do ciclo menstrual, a carga de treino e o ambiente ao longo do tempo, e não um valor isolado de ferritina (Pedlar et al., 2018).

Vitamina D nos invernos do Reino Unido

Entre outubro e o começo de março, o sol no Reino Unido não é forte o bastante para a pele produzir vitamina D suficiente, e a orientação do governo é que todos considerem um suplemento diário no outono e no inverno (NHS). O comitê científico de nutrição do Reino Unido (SACN) define uma ingestão de referência de 10 microgramas por dia para todos a partir dos 4 anos, o ano inteiro, para proteger a saúde dos ossos e dos músculos (SACN, 2016). Atletas que treinam em ambiente fechado, que se cobrem ou que têm a pele mais escura têm mais chance de ficar com a vitamina baixa, e o fim do outono ou o inverno é um bom momento para medir.

B12 e folato: a alimentação primeiro

A vitamina B12 e o folato são necessários para formar glóbulos vermelhos. A B12 vem sobretudo de carne, peixe, leite e ovos, então a dieta vegana precisa de uma fonte confiável, em geral alimentos fortificados ou suplemento (Rogerson, 2017). Cortar grupos de alimentos para bater o peso levanta a mesma questão.

Um velocista na posição de largada numa pista de atletismo

Recuperação e carga de treino

A creatinoquinase (CK) passa do músculo para o sangue depois de exercício forte ou fora do costume, principalmente o excêntrico, como correr em descida ou levantar carga pesada. A ureia pode subir com a carga de endurance, e a PCR com uma prova ou um bloco de treinos duros. Nenhum deles diz sozinho que você está em overtraining. Eles só fazem sentido comparados com os seus resultados anteriores, colhidos no mesmo horário e no mesmo ponto da semana de treino (Haller et al., 2023).

Disponibilidade de energia, tireoide e hormônios

Quando a alimentação não cobre o que o treino gasta, o corpo começa a economizar energia. O Comitê Olímpico Internacional (COI) chama isso de deficiência relativa de energia no esporte (REDs), que pode afetar hormônios, ossos, humor, imunidade e desempenho em mulheres e homens. O consenso do COI de 2023 lista sinais no sangue que podem acompanhar a baixa disponibilidade de energia: T3 livre baixo (o hormônio ativo da tireoide), testosterona baixa nos homens, estradiol baixo com menstruação que falha ou fica irregular nas mulheres, e colesterol total ou colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade) alto (Mountjoy et al., 2023).

São pistas, não um rótulo. Se a sua menstruação parou, se você vive tendo lesões por estresse ósseo ou se o desempenho cai mesmo treinando bem, procure o seu médico ou um médico do esporte. Os exames de sangue são uma parte dessa avaliação, junto com o seu histórico, a alimentação e o treino.

Marcadores de hidratação, com cuidado

O sódio e os marcadores dos rins (ureia e creatinina) costumam fazer parte de um painel do atleta. O sódio pode subir com a desidratação e cair se você bebe muita água pura, por exemplo em provas longas. A creatinina depende da massa muscular e pode vir mais alta em atletas musculosos, e treino forte recente ou muita proteína podem subir a ureia. Leia esses números com quem revisa os seus resultados, nunca isolados.

O que cada marcador quer dizer

Assista: o que cada marcador quer dizer

31 segundos · Voz gerada por IA. Eles explicam as palavras, não o seu resultado. Leve o resultado a um médico de sua confiança.
  • Ferritina: armazena ferro. Um nível baixo pode sugerir falta de ferro, que pode causar cansaço e fraqueza; um nível alto pode indicar excesso de ferro. Inflamação e treino forte podem subir o valor, por isso ela é lida com a PCR. Glossário
  • Hemoglobina: a proteína dos glóbulos vermelhos que leva o oxigênio. Um nível baixo pode indicar anemia; em atletas treinados pode vir um pouco baixa por causa do plasma a mais. Glossário
  • Saturação da transferrina: quanto ferro está sendo transportado no sangue. Níveis baixos podem indicar que o corpo não recebe ou não absorve ferro suficiente. Glossário
  • Vitamina D (25-hidroxivitamina D): ajuda o corpo a absorver cálcio e manter ossos e músculos fortes. Vem da alimentação, de suplementos e do sol na pele. Glossário
  • Vitamina B12 e folato: necessários para formar glóbulos vermelhos; B12 baixa pode trazer anemia, cansaço e sintomas nos nervos. Especialmente relevantes numa dieta à base de plantas. B12 e folato no glossário
  • CK: enzima dos músculos liberada depois de exercício intenso. Treino forte nos dias antes da coleta pode subir a CK, por isso vale anotar o que você fez quando for mostrar o resultado. Glossário
  • PCR: produzida pelo fígado em resposta à inflamação. Um treino forte ou uma prova sobem o valor por pouco tempo. Glossário
  • Hormônio estimulante da tireoide (TSH), T4 livre e T3 livre: o TSH regula a tireoide, e o T4 livre e o T3 livre são os hormônios da tireoide que regulam o metabolismo e a energia. T3 livre baixo é um dos sinais do COI de baixa disponibilidade de energia. TSH, T4 livre e T3 livre
  • Testosterona e estradiol: hormônios sexuais de homens e mulheres. A testosterona muda ao longo do dia, então mantenha o mesmo horário em cada exame; o melhor horário para a coleta é entre 7h e 10h. Testosterona e estradiol
  • Sódio, ureia e creatinina: o sódio ajuda a equilibrar os líquidos do corpo; a ureia e a creatinina são resíduos que os rins filtram. Hidratação, proteína e massa muscular mexem nos três. Sódio, ureia e creatinina

Os valores de referência variam; leve o resultado a um médico de sua confiança.

Quando fazer, e como manter os resultados comparáveis

  • Pré-temporada ou antes de um bloco novo: um ponto de partida para comparar todo o resto.
  • Meio da temporada ou num bloco pesado: para ver como você está aguentando a carga.
  • Fim do outono ou inverno: para a vitamina D.
  • Depois de uma lesão, uma doença ou uma mudança na dieta: para a volta começar de números conhecidos.

Mantenha as mesmas condições a cada vez: mesmo horário, um dia de descanso ou de treino leve antes da coleta, comida e líquido normais, e nenhuma prova nos dias anteriores. Anote o treino daquela semana. Pequenas diferenças entre dois exames muitas vezes estão dentro da variação normal do dia a dia; olhe a tendência com o seu médico ou com o médico do esporte, e não um número isolado.

Se sentir dor no peito, desmaiar ou sentir o coração disparar durante o exercício, pare e ligue 999. Para orientação urgente quando estiver em dúvida, ligue 111 do NHS.

Perguntas frequentes

Preciso parar de treinar antes do exame de sangue? Não precisa parar, mas evite um treino forte ou fora do costume nas 24 a 48 horas antes, para os marcadores de músculo e de inflamação mostrarem o seu estado habitual.

Minha ferritina veio baixa, mas a hemoglobina está normal. Isso importa? O estoque de ferro pode cair antes da hemoglobina. Leve o resultado a um médico de sua confiança, como o seu médico ou um médico do esporte; não comece ferro por conta própria, porque ferro demais também faz mal.

Com que frequência o atleta deve fazer exames? Muitas equipes olham o ferro cerca de duas vezes por ano e somam um exame no meio da temporada ou no inverno. O seu médico ou o médico do esporte pode sugerir um intervalo que combine com o seu esporte e o seu histórico.

Próximos passos

A nossa página de exames de sangue para atletas mostra cada marcador com a pesquisa por trás. Para o seu esporte, veja as páginas de endurance, força e academia e esportes de contato, o cartão de esporte e treino no guia do check-up e o perfil de condicionamento. Os exames são processados pelo nosso laboratório parceiro, e você pode compartilhar os resultados com o seu médico, o médico do esporte ou o seu terapeuta pelo app. Se você pretende repetir exames ao longo da temporada, o nosso artigo sobre repetir exames ao longo do tempo explica como tornar a série útil.

Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não substitui a avaliação ou o tratamento por um profissional de saúde qualificado. Converse sempre com o seu médico ou um profissional de saúde para orientação individual.

Referências

  1. Mountjoy M, Ackerman KE, Bailey DM, et al. Br J Sports Med. 2023;57(17):1073-1097. PMID 37752011
  2. Haller N, Behringer M, Reichel T, et al. Sports Med. 2023;53(7):1315-1333. PMID 37204619
  3. Sim M, Garvican-Lewis LA, Cox GR, et al. Eur J Appl Physiol. 2019;119(7):1463-1478. PMID 31055680
  4. Pedlar CR, Brugnara C, Bruinvels G, Burden R. Eur J Sport Sci. 2018;18(2):295-305. PMID 29280410
  5. Rogerson D. J Int Soc Sports Nutr. 2017;14:36. PMID 28924423
  6. SACN vitamin D and health report - GOV.UK. gov.uk
  7. Vitamin D - NHS. nhs.uk

Os exames deste artigo

Analisados por um laboratório parceiro acreditado pela UKAS. Escolha o kit em casa ou um ponto de coleta.

Ver o catálogo completo

Crie uma conta grátis para ver os preços e pedir os exames deste artigo.Criar conta

O app da BPR Clinic

Seus exames, sua saúde e seu tratamento, num app só.

Laboratório, Biohacking e Clínica no seu telefone, em inglês ou português.

  • Baixar na App Store, em breve
  • Disponível no Google Play
Criar sua conta

Want a free guide on this topic?

A practical, evidence-based PDF, straight to your inbox.

This article is for general information and education only and is not a substitute for an individual assessment or treatment by a qualified healthcare professional. If you have significant, worsening or concerning symptoms, please seek advice from a suitably qualified clinician.