Os seus tempos estão mais lentos do que no mês passado, as pernas pesam em todo aquecimento e você dorme mais, mas acorda sem energia. É o bloco de treino, as manhãs escuras, ou alguma coisa no sangue? Os exames de sangue para atletas não respondem isso sozinhos, mas bem usados tiram parte do chute. Este guia explica quais marcadores as equipes de medicina do esporte costumam olhar, o que cada um quer dizer e como escolher o momento dos exames para que os resultados possam ser comparados.
Por que os exames de sangue do atleta são lidos de outro jeito
O treino muda o sangue. O treino de endurance aumenta o volume de plasma, e por isso a hemoglobina pode vir um pouco baixa num atleta bem treinado sem que haja anemia de verdade. Um treino forte ou uma prova sobem os marcadores de músculo e de inflamação por alguns dias. E as pessoas são diferentes: um valor normal para um atleta pode ser incomum para outro.
Uma revisão sobre os marcadores de sangue usados para controlar a carga de treino concluiu que as condições da coleta, as diferenças entre as pessoas e a carga habitual de cada atleta mexem nos valores de repouso, e que as faixas de referência da população ajudam pouco sozinhas. O conselho é comparar cada resultado com o seu próprio ponto de partida, colhido nas mesmas condições (Haller et al., 2023). Esse é o fio deste artigo: um resultado é uma foto, uma série conta a história.
Ferro e ferritina: a falta mais comum
O ferro leva o oxigênio no sangue e faz parte das enzimas que os músculos usam para produzir energia. Ferro baixo é comum em atletas, principalmente mulheres, atletas de endurance, vegetarianos e quem treina em altitude, e pode aparecer antes de a hemoglobina cair (Sim et al., 2019). A ferritina, o estoque de ferro do corpo, é o número que a maioria das equipes acompanha. Como a inflamação e um treino forte podem subir a ferritina, ela costuma ser lida junto com a proteína C reativa (PCR) e o hemograma.

Para mulheres que treinam, a menstruação também conta. Uma revisão prática para atletas mulheres recomenda olhar o ferro junto com o padrão do ciclo menstrual, a carga de treino e o ambiente ao longo do tempo, e não um valor isolado de ferritina (Pedlar et al., 2018).
Vitamina D nos invernos do Reino Unido
Entre outubro e o começo de março, o sol no Reino Unido não é forte o bastante para a pele produzir vitamina D suficiente, e a orientação do governo é que todos considerem um suplemento diário no outono e no inverno (NHS). O comitê científico de nutrição do Reino Unido (SACN) define uma ingestão de referência de 10 microgramas por dia para todos a partir dos 4 anos, o ano inteiro, para proteger a saúde dos ossos e dos músculos (SACN, 2016). Atletas que treinam em ambiente fechado, que se cobrem ou que têm a pele mais escura têm mais chance de ficar com a vitamina baixa, e o fim do outono ou o inverno é um bom momento para medir.
B12 e folato: a alimentação primeiro
A vitamina B12 e o folato são necessários para formar glóbulos vermelhos. A B12 vem sobretudo de carne, peixe, leite e ovos, então a dieta vegana precisa de uma fonte confiável, em geral alimentos fortificados ou suplemento (Rogerson, 2017). Cortar grupos de alimentos para bater o peso levanta a mesma questão.

Recuperação e carga de treino
A creatinoquinase (CK) passa do músculo para o sangue depois de exercício forte ou fora do costume, principalmente o excêntrico, como correr em descida ou levantar carga pesada. A ureia pode subir com a carga de endurance, e a PCR com uma prova ou um bloco de treinos duros. Nenhum deles diz sozinho que você está em overtraining. Eles só fazem sentido comparados com os seus resultados anteriores, colhidos no mesmo horário e no mesmo ponto da semana de treino (Haller et al., 2023).
Disponibilidade de energia, tireoide e hormônios
Quando a alimentação não cobre o que o treino gasta, o corpo começa a economizar energia. O Comitê Olímpico Internacional (COI) chama isso de deficiência relativa de energia no esporte (REDs), que pode afetar hormônios, ossos, humor, imunidade e desempenho em mulheres e homens. O consenso do COI de 2023 lista sinais no sangue que podem acompanhar a baixa disponibilidade de energia: T3 livre baixo (o hormônio ativo da tireoide), testosterona baixa nos homens, estradiol baixo com menstruação que falha ou fica irregular nas mulheres, e colesterol total ou colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade) alto (Mountjoy et al., 2023).
São pistas, não um rótulo. Se a sua menstruação parou, se você vive tendo lesões por estresse ósseo ou se o desempenho cai mesmo treinando bem, procure o seu médico ou um médico do esporte. Os exames de sangue são uma parte dessa avaliação, junto com o seu histórico, a alimentação e o treino.






