Imagine duas pessoas com resultados de colesterol quase iguais. Uma tem pai ou mãe que infartou aos 50 anos; a outra, não. O painel lipídico padrão pode não explicar a diferença, e é nesse espaço que entram dois marcadores menos conhecidos: a lipoproteína(a), escrita como Lp(a), e a apolipoproteína B, ou ApoB.
Nenhum dos dois é novidade para a ciência, mas ambos ainda ficam de fora da maioria dos check-ups. Este artigo explica o que cada exame mede, por que as sociedades especializadas passaram a olhar mais para eles e quando as pessoas costumam considerá-los.
O que é a lipoproteína(a)?
A Lp(a) é uma partícula muito parecida com o colesterol LDL, com uma proteína extra presa a ela, a apolipoproteína(a). Uma revisão publicada no Lancet aponta que mais de 90% da concentração de Lp(a) é determinada pela genética (Nordestgaard e Langsted, 2024). Na prática, o seu nível é praticamente definido ao nascer e muda pouco com alimentação ou exercício.
Um consenso da Sociedade Europeia de Aterosclerose concluiu que estudos genéticos e epidemiológicos com centenas de milhares de pessoas sustentam uma ligação causal e contínua entre a concentração de Lp(a) e eventos cardiovasculares, e que a Lp(a) alta é fator de risco mesmo quando o LDL está muito baixo (Kronenberg et al., 2022). A mesma revisão do Lancet estima que uma em cada cinco pessoas tem níveis altos o bastante para aumentar o risco.
Por que "uma vez na vida"
Como a Lp(a) é sobretudo herdada e estável, o painel europeu recomenda medi-la pelo menos uma vez na vida adulta. Também destaca o valor de testar parentes quando alguém tem hipercolesterolemia familiar, histórico familiar de Lp(a) alta ou doença do coração ainda jovem (Kronenberg et al., 2022). Por isso, como orientação geral, a Lp(a) costuma ser um exame único, ao contrário do colesterol, que se repete.
O exame Lipoprotein (a) do catálogo da BPR Clinic mede o nível de Lp(a) no sangue. Segundo a LML, o resultado sai um dia depois que a amostra chega ao laboratório.
O que é a apolipoproteína B?
A ApoB é uma proteína que fica na superfície de cada partícula de colesterol potencialmente nociva: LDL, VLDL, seus remanescentes e a Lp(a). Cada uma dessas partículas carrega exatamente uma molécula de ApoB. Então medir a ApoB é, na prática, uma forma de contar essas partículas (Sniderman et al., 2019).
Por que contar partículas em vez de pesar o colesterol? Uma revisão narrativa no JAMA Cardiology explica que a quantidade de colesterol por partícula varia. Duas pessoas podem ter o mesmo LDL distribuído em números bem diferentes de partículas, e é o número de partículas que entra na parede da artéria que move o acúmulo (Sniderman et al., 2019).
Um consenso de especialistas de 2024 da National Lipid Association, dos Estados Unidos, afirma que a ApoB reflete a carga aterogênica com mais precisão que o colesterol LDL e acrescenta valor quando usada junto com o perfil lipídico padrão. Quando LDL e ApoB discordam, o risco tende a acompanhar a ApoB (Soffer et al., 2024).
O exame Apolipoprotein B do catálogo mede essa proteína diretamente. A LML o descreve como associado ao risco cardiovascular e útil para acompanhamento.
E a apolipoproteína A1?
A ApoA1 é a contrapartida do lado protetor. É a principal proteína das partículas de HDL. Segundo a LML, níveis mais altos no exame Apolipoprotein A1 costumam estar associados a menor risco cardiovascular, e níveis baixos já foram ligados a risco maior. Alguns profissionais olham ApoB e ApoA1 juntas para ver o equilíbrio entre as duas famílias de partículas.
Quando esses exames costumam fazer sentido
Lp(a) e ApoB não são exames de triagem para todo mundo, mas costumam ser considerados quando:
- há histórico familiar de infarto ou AVC em idade jovem;
- um parente próximo sabidamente tem Lp(a) alta ou hipercolesterolemia familiar;
- o colesterol parece razoável, mas outros fatores levantam dúvidas;
- os triglicerídeos estão altos, há diabetes ou excesso de peso, e o profissional quer uma contagem mais clara de partículas;
- a pessoa já está em tratamento e o médico quer outra medida para acompanhar.
Com que frequência
Como orientação geral, a Lp(a) costuma ser medida uma vez na vida, e a ApoB uma vez por ano quando está sendo acompanhada. O seu histórico e qualquer tratamento mudam esse quadro, então converse com um profissional de saúde antes de decidir.

