A maioria das crianças passa anos sem precisar de um exame de sangue, e é assim que deve ser. Quando um exame é sugerido, quase sempre é porque um médico, enfermeiro ou terapeuta quer responder a uma pergunta específica: por que a criança parece cansada ou pálida fora do comum, ou se uma alimentação restrita está dando o que ela precisa. Este guia sobre exames de sangue em crianças explica os quatro exames que mais aparecem nessa conversa, o que cada um mede e como funciona a coleta.
Por que exames de sangue em crianças são lidos de outro jeito
Criança não é um adulto pequeno, e os exames dela também não são. Muitos marcadores mudam com a idade, o crescimento e a puberdade, então um valor comum aos seis anos pode ser incomum aos dezesseis. Uma revisão do projeto CALIPER, que criou faixas de referência por idade e sexo a partir de crianças e adolescentes saudáveis, mostra que os laboratórios muitas vezes tiveram de comparar resultados de crianças com faixas de adulto por falta de bons dados pediátricos (Adeli et al., 2017). A lição prática para os pais é simples: o resultado deve sempre ser interpretado por um profissional que conheça a idade e o histórico da criança.
O ferro é o exemplo mais claro de por que esses exames existem. Uma revisão publicada na The Lancet descreve a deficiência de ferro como um dos principais fatores da carga global de doenças e observa que ela atinge sobretudo crianças e mulheres antes da menopausa. A mesma revisão explica que os problemas podem aparecer antes mesmo da anemia (Pasricha et al., 2021).
Os quatro exames do catálogo da BPR
Full Blood Count
O Full Blood Count (hemograma completo) avalia os principais componentes do sangue: glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. A LML lista 15 marcadores, entre eles hemoglobina, hematócrito, índices dos glóbulos vermelhos e a contagem diferencial dos glóbulos brancos em cinco tipos. Ele dá uma visão geral da saúde do sangue e é o exame que o NHS descreve como o primeiro passo habitual quando se pensa em anemia.
Ferritin
A ferritina é a proteína que armazena ferro. Ferritina baixa indica reservas de ferro baixas, mesmo que a hemoglobina ainda esteja na faixa. A LML lembra também que a ferritina sobe com inflamação, mais um motivo para lê-la junto com outros resultados, e não isoladamente.
Vitamin D
A vitamina D ajuda a regular o cálcio e o fosfato, necessários para ossos, dentes e músculos saudáveis. O NHS explica que, entre outubro e o início de março, não produzimos vitamina D suficiente com a luz do sol, e recomenda suplemento diário o ano todo para crianças de 1 a 4 anos. O marcador que a LML mede é a 25-OH vitamina D.
Anaemia Profile
O Anaemia Profile junta o hemograma completo com o estudo do ferro, a vitamina B12 e o folato: 17 marcadores na lista da LML. Ele é útil quando a pergunta não é só se os glóbulos vermelhos estão baixos, mas por quê. O NHS observa que a falta de vitamina B12 pode acontecer numa dieta vegana sem suplemento ou sem alimentos enriquecidos.
Quando um exame de sangue costuma fazer sentido
Para crianças saudáveis, não existe um calendário de exames de sangue de rotina. A orientação geral nessa faixa etária é fazer o exame só quando houver um motivo, combinado antes com um profissional. Situações que costumam levar a essa conversa:
- cansaço e falta de energia que não passam, ou pele mais pálida que o normal, sinais que o NHS lista entre os sintomas da anemia por falta de ferro;
- alimentação vegetariana, vegana ou restrita de outra forma;
- uma dúvida sobre vitamina D, sobretudo depois do inverno ou em crianças que ficam pouco ao ar livre;
- acompanhar um resultado que já veio fora da faixa esperada.
Muitos desses sinais têm explicações comuns, como sono, uma fase de crescimento ou um período escolar puxado. O exame de sangue é uma informação, não um veredito, e a decisão de fazê-lo fica melhor quando tomada com o seu médico de família ou com o profissional que conhece a criança.
Como preparar a criança
O NHS descreve o exame de sangue como um procedimento rápido: uma pequena quantidade de sangue costuma ser tirada da parte de dentro do cotovelo, com uma picada breve quando a agulha entra, e qualquer roxo deve sumir em poucos dias. Algumas coisas ajudam as crianças:
- explicar o que vai acontecer com palavras simples, sem prometer que não vai doer nada;
- avisar quem vai colher se a criança tem medo de agulha, como sugere o NHS;
- levar um livro, um jogo ou um brinquedo preferido para a espera;
- combinar algo gostoso para depois.

