"Devo medir meu AMH antes de começar a tentar engravidar?" É uma das perguntas mais comuns entre mulheres na casa dos trinta, e faz todo sentido. O exame de AMH é simples e o resultado sai rápido. O que ele significa, porém, costuma ser mal entendido. Este guia explica o que o AMH e os outros hormônios da fertilidade medem, quando o exame costuma ser útil e quais são os seus limites.
O que é o AMH?
O hormônio antimülleriano (AMH) é produzido pelos pequenos folículos que crescem nos ovários a cada ciclo. Como a quantidade desses folículos reflete os óvulos ainda disponíveis, o AMH é usado como marcador da reserva ovariana, isto é, da quantidade de óvulos que restam. A LML descreve o exame, que está no catálogo da BPR como Antimullerian Hormone (AMH Plus), como uma forma de avaliar a reserva ovariana e ajudar a prever a resposta a tratamentos de fertilidade como a FIV. A LML também observa que os valores de referência variam com a idade e a fase reprodutiva.
Uma revisão de 2022 no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism resume bem: o AMH é um bom marcador da quantidade de óvulos, mas não reflete a saúde dos óvulos nem a chance de engravidar (Cedars, 2022). A idade continua sendo o fator mais forte no sucesso dos tratamentos de fertilidade.
O AMH não prevê a gravidez natural
É o ponto que mais se perde. Num estudo prospectivo publicado no JAMA, 750 mulheres de 30 a 44 anos que tentavam engravidar havia três meses ou menos colheram sangue. Depois de ajustar para idade e outros fatores, as mulheres com AMH baixo não tiveram chance significativamente diferente de engravidar em 6 ou 12 ciclos em comparação com as de valores normais (Steiner et al., 2017). O mesmo valeu para o FSH alto.
Ou seja, um AMH baixo não quer dizer que você não vai engravidar naturalmente, e um AMH normal não quer dizer que há tempo de sobra. O que o AMH pode fazer é ajudar um especialista em fertilidade a planejar o tratamento. Algumas mulheres também o usam como uma informação a mais ao pensar no momento de engravidar ou no congelamento de óvulos, de preferência com orientação médica.
O que pode baixar o AMH sem refletir a reserva
- O anticoncepcional hormonal pode baixar o AMH temporariamente (Cedars, 2022).
- Um índice de massa corporal mais alto se associa a AMH mais baixo, sem que isso reflita a resposta ovariana (Cedars, 2022).
- Condições que suprimem os hormônios da hipófise também podem baixá-lo.
Já o AMH alto pode aparecer na síndrome dos ovários policísticos, como a LML observa na descrição do exame.
O Fertility Hormones Profile
O AMH é só uma parte do quadro. O Fertility Hormones Profile do catálogo da BPR mede cinco hormônios:
- Hormônio folículo-estimulante (FSH), da hipófise, que estimula o crescimento dos folículos.
- Hormônio luteinizante (LH), que dispara a ovulação.
- Estradiol (E2), o principal estrogênio produzido pelos ovários.
- Testosterona, ligada à regularidade do ciclo e a condições como a SOP.
- Prolactina, que em níveis altos pode atrapalhar a ovulação e a menstruação.
A LML descreve esse perfil como útil para olhar o equilíbrio hormonal quando a menstruação é irregular ou quando há dúvidas sobre fertilidade, e para acompanhar tratamentos hormonais. Ele pode ser feito com amostra de picada no dedo em casa ou com sangue colhido por flebotomista.
O dia do ciclo importa
O FSH muda ao longo do ciclo menstrual. A LML lembra que o exame pode precisar ser feito em dias específicos do ciclo para dar um resultado útil, e que o FSH sobe naturalmente com a idade. Se a sua menstruação é regular, pergunte ao médico que vai ler o resultado em qual dia fazer a coleta. O FSH isolado também está no catálogo, como Follicle Stimulating Hormone (FSH).

