Dois atletas seguem o mesmo plano por doze semanas. Um termina o bloco mais forte; o outro se sente pesado, dorme mal e perde a vontade de treinar. Muita coisa pode explicar a diferença, da alimentação e do sono ao estresse no trabalho. Os hormônios fazem parte dessa história, porque o treino os modifica e eles, por sua vez, influenciam a forma como o corpo se adapta.
Este guia fala de hormônios e treino a partir de três itens do catálogo da BPR: o Sports Hormone Profile, o Cortisol e o IGF-1 (Somatomedin), todos processados pelo London Medical Laboratory (LML).
Como hormônios e treino se influenciam
A atividade física tem um efeito forte sobre o sistema neuroendócrino. Uma revisão de 2024 descreve como a resposta hormonal ao exercício depende da pessoa (genética, idade, sexo, ritmos biológicos diários, nutrição, nível de treino, medicamentos e suplementos) e do próprio exercício (tipo, intensidade, duração e ambiente) (Mennitti et al., 2024). Por isso a mesma sessão pode dar resultados diferentes em duas pessoas, e uma medida isolada diz pouco sem contexto.
A energia também conta. O consenso de 2023 do Comitê Olímpico Internacional sobre Deficiência Relativa de Energia no Esporte explica que um descompasso prolongado entre a energia que o atleta come e a que o treino exige pode desregular vários sistemas hormonais, entre outros efeitos (Mountjoy et al., 2023).
O Sports Hormone Profile
A LML descreve este perfil como o que cobre a maior variedade de hormônios e sistemas afetados pela atividade física que dá para medir num exame de sangue. Ele inclui:
- Androgênios: testosterona total, testosterona livre, SHBG (a proteína que transporta os hormônios sexuais), DHEA-S e o índice de androgênio livre.
- Outros hormônios reprodutivos: estradiol, LH, FSH e prolactina.
- Tireoide: TSH e T4 livre. A LML observa que, quando a tireoide não funciona bem, a energia cai.
- Função do fígado: ALT, AST, GGT, fosfatase alcalina, bilirrubina, albumina e proteínas totais. O fígado processa a maior parte do que comemos e tomamos, incluindo suplementos.
A LML ressalta que esses hormônios são importantes para homens e mulheres, em concentrações diferentes, e indica o perfil para quem quer acompanhar o efeito de suplementos ou sente que não está respondendo ao exercício como esperava. Para este perfil a LML pede uma amostra venosa.
Cortisol
O cortisol é um hormônio liberado em resposta ao estresse. Segundo a LML, ele ajuda a regular o metabolismo, a função imunológica e a pressão arterial. O exercício é uma forma de estresse, então é natural que o cortisol varie em torno do treino (Mennitti et al., 2024).
Alguns pontos práticos do texto da LML valem a pena antes da coleta:
- nas mulheres, os níveis podem variar ao longo do ciclo menstrual;
- alguns medicamentos, como os anticoncepcionais orais, podem alterar o cortisol e devem ser informados na leitura do resultado.
Como os ritmos biológicos influenciam os hormônios, ajuda colher sempre num horário parecido, para que dois resultados possam de fato ser comparados.
IGF-1 (Somatomedina)
O IGF-1, fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1, é produzido principalmente pelo fígado em resposta ao hormônio do crescimento. A LML explica que o exame é usado para avaliar distúrbios de crescimento e acompanhar a terapia com hormônio do crescimento, entre outros usos. No esporte, às vezes é pedido junto com outros hormônios quando o profissional quer uma visão mais completa do eixo do hormônio do crescimento.
A LML pede que esta amostra seja enviada ao laboratório sem demora e manuseada congelada, então o tipo de coleta importa. O ponto de coleta da LML costuma ser a opção mais prática.

