Exames de recuperação muscular: creatina quinase, PCR e VHS explicados

BPR Clinic20 de outubro de 20266 min de leituraRead in English

Creatina quinase, PCR e VHS são três exames de sangue simples que atletas às vezes usam em fases de treino pesado. O que cada um mede e como ler no contexto.

Exames deste artigo:Creatine Kinase,C-Reactive Protein (High Sensitivity),Erythrocyte Sedimentation Rate

Dois dias depois de uma maratona cheia de subidas ou de um treino pesado de pernas, a escada parece mais íngreme. Essa dor é parte conhecida do treino e reflete mudanças reais dentro do músculo. Alguns atletas e treinadores gostam de colocar números nessas mudanças, e três exames de sangue simples aparecem sempre: creatina quinase (CK), proteína C-reativa (PCR) e velocidade de hemossedimentação (VHS).

Os três estão no catálogo da BPR e são processados pelo London Medical Laboratory (LML). Este guia explica o que cada exame de recuperação muscular mede, por que o treino pesado mexe nos números e como lê-los sem tirar conclusões demais.

Creatina quinase: uma enzima que escapa do músculo em trabalho

A creatina quinase é uma enzima presente no músculo esquelético, no músculo do coração e no cérebro. A LML explica que o exame mede a CK no sangue e que níveis altos podem indicar lesão ou dano muscular, entre outras causas, incluindo algumas condições do coração. A LML também observa que a CK não é específica e que normalmente outros exames são necessários para entender um resultado alto.

No esporte, a CK é usada há muito tempo como marcador indireto de dano muscular depois do exercício. Uma revisão sobre CK e exercício descreve, porém, que o valor dela como medida de quanto dano um treino causou é discutido (Baird et al., 2012). A mesma revisão aponta que fatores que não dá para mudar, como etnia, idade e sexo, também influenciam a CK, e sugere que os limites superiores habituais podem não servir bem para pessoas muito ativas. Daí saem duas consequências práticas:

  • uma CK alta no dia seguinte a um treino forte é comum e, sozinha, não é motivo de alarme;
  • os seus próprios resultados anteriores, colhidos em condições parecidas, são uma comparação melhor do que os de outra pessoa.

Quando uma CK alta pede atenção rápida

Existe uma situação em que a CK importa com urgência. A rabdomiólise de esforço é a quebra de células musculares após exercício intenso em pessoas saudáveis. Uma revisão sistemática encontrou o quadro com mais frequência depois de provas de corrida, maratonas incluídas, e de musculação, e destacou dor ou cãibras musculares e urina escura após provas longas como sinais que pedem avaliação médica (Bäcker et al., 2023). Se você notar dor muscular forte, fraqueza importante, inchaço ou urina escura depois do exercício, procure atendimento médico na hora, em vez de esperar um exame de rotina.

PCR: um marcador geral de inflamação

A proteína C-reativa é produzida pelo corpo quando há inflamação. A LML descreve a PCR de alta sensibilidade como uma forma de avaliar a presença e a intensidade da inflamação, e observa que valores altos podem estar ligados a infecções, doenças autoimunes, doença cardiovascular e outras causas. Essa amplitude é importante: a PCR mostra que há inflamação, não de onde ela vem.

Um treino forte pode elevar a PCR por pouco tempo. Ao longo de meses, porém, o treino regular aponta para o outro lado: uma metanálise de 83 estudos controlados encontrou que o treinamento físico estava associado à queda da PCR, independentemente de idade ou sexo, com quedas maiores quando a gordura corporal também diminuía (Fedewa et al., 2017). Por isso uma PCR isolada colhida logo depois de uma prova é difícil de interpretar, enquanto uma série colhida em dias leves conta uma história mais clara.

VHS: um exame de inflamação mais antigo e mais lento

A velocidade de hemossedimentação mede a rapidez com que os glóbulos vermelhos se depositam num tubo vertical. A LML a chama de exame não específico que ajuda a mostrar inflamação no corpo. Uma revisão clínica sobre VHS e PCR explica que nenhum dos dois é sensível ou específico o bastante para ser usado sozinho, que ambos devem ser lidos junto com a história clínica e o exame físico, e que os dois frequentemente discordam, em parte porque sobem e baixam em velocidades diferentes (Bray et al., 2016).

Por isso a VHS raramente é usada sozinha como marcador de recuperação no esporte. Ela costuma ser pedida junto com a PCR quando um profissional de saúde quer uma visão mais ampla da inflamação, por exemplo diante de dor articular persistente ou de sintomas que não melhoram com o descanso.

Juntando os três

  • CK reflete o estresse muscular e é muito sensível ao treino recente.
  • PCR reflete inflamação de qualquer origem e responde em dias.
  • VHS também reflete inflamação, muda mais devagar e é lida junto com a PCR.

Nenhum deles mede a "recuperação" diretamente. São informações para colocar ao lado de como você se sente, como dorme e como rende. Painéis como o Sports Fitness Profile e os painéis para atletas do catálogo da BPR já incluem CK e PCR de alta sensibilidade, então vale conferir antes de pedir exames avulsos.

Quando colher

Como orientação geral, atletas que usam esses marcadores costumam colher nas fases de treino pesado, de preferência num dia de descanso ou de treino leve e sempre a uma distância parecida do último treino forte. Assim, uma mudança reflete o bloco de treino, e não o treino de ontem. Converse com um profissional de saúde sobre se esses exames acrescentam algo no seu caso e com que frequência repetir.

Como funciona a coleta

As amostras são colhidas e analisadas pela LML; a BPR Clinic não faz coleta. Você pode usar um kit em casa quando o exame permitir, ir a um ponto de coleta da LML (busca pelo postcode) ou agendar um flebotomista em casa. Para a VHS, a LML pede que a amostra chegue ao laboratório em até 24 horas, então o caminho habitual é o ponto de coleta ou o flebotomista em casa. Menores de 18 anos vão ao ponto de coleta acompanhados de um adulto. Esses exames estão no catálogo da BPR; dúvidas podem ir pelo app, pelo formulário do site ou pelo [email protected].

Perguntas frequentes

Uma CK alta depois do treino é perigosa? CK elevada depois de exercício forte é comum. O que pede atenção médica rápida é dor muscular forte, inchaço, fraqueza ou urina escura depois do exercício, seja qual for o resultado do exame.

Devo colher a PCR no dia seguinte a uma prova? Em geral fica mais claro colher num dia leve, porque esforços intensos podem elevar a PCR por pouco tempo.

Preciso da VHS se já faço a PCR? Nem sempre. A VHS costuma ser acrescentada quando um profissional quer uma visão mais ampla da inflamação, já que os dois exames se comportam de forma diferente.

Referências

  1. Baird MF et al. J Nutr Metab. 2012;2012:960363. PMID 22288008
  2. Bäcker HC et al. Clin J Sport Med. 2023;33(2):187-194. PMID 36877581
  3. Fedewa MV et al. Br J Sports Med. 2017;51(8):670-676. PMID 27445361
  4. Bray C et al. WMJ. 2016;115(6):317-21. PMID 29094869

Os exames deste artigo

Analisados pela London Medical Laboratory. Escolha o kit em casa, um ponto de coleta da LML ou um flebotomista em casa.

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This article is for general information and education only and is not a substitute for an individual assessment or treatment by a qualified healthcare professional. If you have significant, worsening or concerning symptoms, please seek advice from a suitably qualified clinician.