Pouca energia, menos interesse por sexo, uma rotina de academia que parece não render mais. Muitos homens na casa dos trinta e quarenta se perguntam se a testosterona está por trás de mudanças assim. Um exame de sangue é um bom ponto de partida para essa conversa, desde que feito no horário certo e lido no contexto. Este guia explica a diferença entre testosterona total, testosterona livre e SHBG, e o que cada uma acrescenta.
O que a testosterona faz
A LML descreve a testosterona como um hormônio vital em homens e mulheres, ligado à libido, à fertilidade, à força muscular e óssea e à saúde mental. No homem, ela é produzida principalmente pelos testículos, sob o comando de dois hormônios da hipófise, o LH e o FSH.
Os níveis mudam com a idade, mas de forma mais suave do que muita gente imagina. O NHS explica que a testosterona cai de modo constante, cerca de 1% ao ano a partir dos 30 a 40 anos, e que essa queda dificilmente causa problemas por si só (NHS, The male menopause). Uma deficiência de verdade que surge mais tarde na vida, chamada hipogonadismo de início tardio, é descrita pelo NHS como incomum e mais frequente em homens com obesidade ou diabetes tipo 2.
Testosterona total, testosterona livre e SHBG
Testosterona total
A maior parte da testosterona no sangue está ligada a proteínas. A testosterona total mede tudo, ligada e não ligada. A diretriz da Endocrine Society recomenda a testosterona total pela manhã, em jejum, medida por um método confiável, como primeiro exame, e repetir para confirmar um resultado baixo (Bhasin et al., 2018).
SHBG
A globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG) é a principal proteína que transporta a testosterona. A LML observa que a SHBG regula quanto hormônio sexual fica disponível para o corpo, e que ela é afetada pela tireoide, pelo fígado e pelo peso corporal. Quando a SHBG está alta, mais testosterona fica ligada e menos fica livre para agir; quando está baixa, acontece o contrário.
Testosterona livre
A testosterona livre é a pequena fração disponível para os tecidos. Medi-la diretamente é tecnicamente difícil, então os laboratórios costumam calculá-la a partir da testosterona total, da SHBG e da albumina. Uma revisão de 2024 observa que a idade e a obesidade alteram tanto a testosterona total quanto a SHBG, e por isso a testosterona livre é usada como medida de segunda linha quando a total está no limite ou a SHBG pode estar alterada, lembrando também que as calculadoras são aproximações (Nyamaah et al., 2024). A diretriz da Endocrine Society faz a mesma recomendação (Bhasin et al., 2018).
Qual exame do catálogo?
- Testosterone Check: só a testosterona total. Um ponto de partida simples.
- Testosterone Plus Profile: testosterona total, SHBG e albumina, com a testosterona livre calculada. A LML o descreve como um retrato bem mais preciso do que a total sozinha.
- Sex Hormone Binding Globulin: a SHBG isolada, se o seu médico quiser olhá-la à parte.
- Male Hormone Profile: acrescenta LH, FSH, estradiol, prolactina, sulfato de DHEA e índice de andrógenos livres, para um olhar mais amplo sobre os hormônios que comandam a testosterona.
O horário da coleta
A testosterona é mais alta pela manhã. A LML orienta colher entre 7h e 10h, e a Endocrine Society recomenda uma amostra da manhã em jejum (Bhasin et al., 2018). Doença, noites mal dormidas e treino intenso nos dias anteriores também podem afetar o resultado, então tente fazer o exame num dia comum.

